Celebrou-se, no passado dia 27 de Março, o Dia Mundial do Teatro. Em homenagem à efeméride, o grupo D. Maria II – ao qual também pertence, por exemplo, o teatro Villaret – suspendeu o pagamento dos bilhetes por um dia, facilitando assim a entrada aos primeiros espectadores que chegassem ao recinto. Também no teatro da Trindade se comemorou esta data duma forma especial, com a transmissão em directo do “Dia das Mentiras”, através da RTP1. Começando pelo final, devo dizer que esta me parece uma óptima medida dum canal televisivo cuja função é ser de «serviço público». Porque ir ao teatro não é um programa economicamente viável para a maioria dos portugueses, a sua filmagem e posterior mostragem na televisão (em alternativa à transmissão directa, para não “roubar” espectadores às peças enquanto estas ainda estão em palco) pode ser uma forma de atrair mais simpatizantes ao teatro – ainda que não in loco, mas o valor cultural da iniciativa também importa.
Ainda assim, existem bastantes pessoas que podem e vão ao teatro. Pelo menos a noite de quinta-feira esteve muito animada, na Baixa Pombalina. Passei duas vezes no Chiado – uma às 22h, outra já perto da uma da madrugada – e aquela zona da cidade estava particularmente cosmopolita, com grupos de amigos ou casais vestidos “a preceito” circulando pelas ruas desniveladas e vielas enviesadas, com os saltos dos sapatos a tamborilarem nas pedras da calçada e os risos a ecoarem pela noite escura.
Sobre o meu contributo para este dia, fui à estreia de “Pena Capital”, uma peça realizada por Pedro Laginha, em palco na Fundação Guilherme Cassoul, no Largo de Santos. Uma série de monólogos ou diálogos de estrutura circular, onde o sexo assume um lugar de destaque na vertente da violência – física ou psicológica. Uma boa oportunidade para ver que actrizes como Oceana Basílio ou Rita Ruaz não são apenas «moranguitas».
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