· “A Gorda” marca reabertura do Teatro Villaret
Escrita pelo norte-americano Neil La Bute e encenada por Amândio Pinheiro, A Gorda conta a história de Helena, uma bibliotecária gordinha, que conhece Tomás, um executivo jeitoso, num restaurante ao almoço. Ela come pizza e ele salada, e a partir daí descobrem uma série de afinidades que os fazem começar a namorar. Os problemas surgem quando Tomás apresenta Helena aos seus amigos; ou, antes, quando Tomás não apresenta Helena aos seus amigos, com medo do que estes possam pensar do seu aspecto físico. Uma comédia negra que critica sem dó nem piedade, o binómio da mulher magra/bonita da sociedade contemporânea, incluindo ainda outros temas discriminatórios como a homossexualidade ou a diferença de idades num casal, quando a mulher é mais velha que o marido. A não perder porque tem, de facto, muita graça.
· Zoo surpreende…pela positiva
No fim-de-semana, a falta de sol fez-me optar por – em vez de virar à direita rumo à Caparica na saída da A5 – meter pelo Eixo Norte/Sul e passar a tarde no Jardim Zoológico. Já não visitava este espaço há 15 anos, e fiquei francamente agradada com o que vi. Por 15 euros, tem-se direito a circular por todo o recinto, que inclui – para além dos animais ditos “selvagens” - , a “Quintinha” (onde o burro faz furor entre os miúdos), o “Reptilário”, os golfinhos e as aves; uma volta no comboio que faz o perímetro do parque ou um passeio aéreo pelo teleférico. À entrada, carimbam-nos a mão com uma tinta transparente, de modo que se façam tantas saídas quantas as desejadas, durante esse dia. Quem não opte por levar piquenique e comer no recinto destinado para esse efeito, tem uma ampla escolha de restaurantes com esplanadas onde pode aproveitar a sombra das árvores para descansar as pernas e preparar-se para uma segunda ronda. Com os lagos em limpeza para a época alta que se avizinha e algumas instalações em remodelação para animais de grande porte como os ursos ou os elefantes, o Jardim Zoológico tem os espaços verdes primorosamente bem cuidados e merece uma visita, tanto dos miúdos, como dos graúdos que apreciem animais.
· “Sol” e “Expresso” surpreendem…pela negativa
Foi com repulsa que passei a vista pela edição do “Sol” de dia 5 de Abril. Na capa, a fotografia de um homem morto, com a vista perfurada e a cabeça mergulhada numa poça de sangue, enchia mais de metade da capa. O uso de imagens de corpos estropiados, membros retirados e outros retratos macabros que tais são próprios de tablóides, e não de um jornal que se diz concorrente do “Expresso” e afixou, como meta (impossível) para o primeiro ano a ultrapassagem deste. Falta-lhe quase o dobro da tiragem para o conseguir, e por este caminho não vai lá de certeza. E as más notícias não ficam por aqui: sábado, dia 12 de Abril, veio o resto da colecção, já não escarrapachada na capa, mas ainda assim de um mediatismo lamentável.
Também a introdução das “Produções Fictícias” num jornal de referência nacional como é o “Expresso”, retira a objectividade por que a informação deve primar. Especialmente, quando a esmagadora maioria das piadas é brejeira e “de braguilha”. Tem demasiada graça para o periódico onde se insere, para além da auto publicidade aos grupos de media já chatear (vide, a fotografia do lanche no “Pabe” de Pinto Balsemão com as Produções Fictícias, no selar do negócio chorudo com estas).
É o vale tudo na imprensa portuguesa.
· Rusga de 300 agentes varre Martim Moniz
Entre PSP, GNR, Inspecção do Trabalho, ASAE e outros que tais, na quinta-feira, dia 11 de Abril, as autoridades fizeram uma rusga ao largo do Martim Moniz e zonas limítrofes para “detectar a existência de possíveis irregularidades”. Não deve ter sobrado ninguém na zona. Os crimes de prostituição, falsificação de marcas e tráfico de droga ocupam o top 3 de entre os mais frequentes. Agora pergunto-me: será que a operação é para continuar, bairro a bairro, por Lisboa fora? Irão os Senhores Agentes entrar pela Lapa adentro e apreender acompanhantes de luxo, DVD’s pirateados do quarto de miúdos com televisão privativa e saquinhos de pó branco retirados do fundo das mochilas de adolescentes cheios de guito na carteira (e de vento nas ideias) para gastar? Alvalade, Campo de Ourique, Avenidas Novas ou Carnide…preparem-se!
· Portugal no top 3 do trabalho precário
Depois da Polónia e de Espanha, Portugal está entre os principais países europeus empregadores de mão-de-obra precária. Os chamados “recibos verdes”. Calcula-se que cerca de 60% da população activa trabalhe através desta modalidade, que não engloba descontos para a Segurança Social, Caixa de Previdência ou Reforma, não dá direito a férias, décimo terceiro mês nem baixa por doença. É assim e é se queres, jovem licenciado, bem vindo ao glorioso mundo (de cão) do trabalho! (E ainda nos apelidam de geração rasca. Com trabalhos rascas, como havemos de ser?)
· Super tias, super tolas
Uma super tia, é chato. Duas, é muito mais. (Faz-me quase lembrar aquela canção do elefante que incomoda muita gente…). Adiante, duas vezes por semana tento ir ao ginásio, para não sair muito de forma (e da forma). Um espécime com quem dispensava ter de cruzar-me, era com esta raça de senhoras que deixaram a nave espacial não sei bem onde, às quais apelidei de super tias, super tolas. Não fosse suficientemente mau irem para o ginásio todas “quitadas” como se fossem a um cocktail, fazem coisas tão ridículas como: levam o jeep até quase à porta do ginásio, apesar de depois fazerem programas com personal trainers para tirarem os quilos a mais; deixam as respectivas viaturas com as quatro rodas em cima do passeio, e não se incomodam nada se com isso atrapalham o trânsito numa zona problemática da cidade (pena que os e-melgas não andem mais atentos a isto); levam telemóveis e fazem chamadas enquanto correm na passadeira ou pedalam na bicicleta, chateando os pobres mortais que estão ao lado e não se interessam menos em saber dos lanches e compras que as esperam dali a nada; carregam malas de marca e pochettes com penduricalhos dourados que chocalham com elas enquanto andam e são consecutivamente transportados de aparelho em aparelho, como se sem escova, baton, rímel ou carteira não fossem ninguém. Mas o mais engraçado (contado, porque enquanto lá treino chateia-me até mais não), é que metade do tempo do treino passam-no a conversar umas com as outras, a babarem para cima do personal trainer que tem idade para ser filho delas, ou a mirarem-se ao espelho, a ver se a toillete de desporto condiz melhor do que a da amiga. Sem comentários…
· Churrasco em famelga
Chamem-me parola, chamem-me o que quiserem, mas haverá algo melhor do que o belo do churrasco de família ao fim-de-semana? Não me parece… Acordar tarde duma noite de copos com os amigos, arrastar-me até debaixo de um chuveiro de água quente, e passada uma hora estar a inspirar picanha na brasa ou um peixinho grelhado é uma D-E-L-Í-C-I-A J E depois, toda a gente tem aquele amigo porreiro que conhece “o” lugar da boa carne, “a” bancada do peixe fresco, e que ainda se oferece para cozinhá-lo (a) numa homenagem aos amigos, que se refastelam em cadeiras de lona de papo para o ar, a beberricar martinis enquanto trinca uns snacks salgados e comenta banalidades. É o melhor início de semana…
terça-feira, 15 de abril de 2008
terça-feira, 1 de abril de 2008
O SOL da FENPROF
Qual manif, qual quê!
A FENPROF conheceu, esta semana, a sua mais poderosa arma contra o poder político, a chama que a guia, a Luz que a alumia: refiro-me ao semanário SOL, que – na sua edição mais recente – dedica à notícia da aluna que se pega com a professora que lhe tirou o telemóvel não uma, não duas, mas DEZ referências ao longo de todo o periódico.
Começando com o editorial a abrir a primeira ímpar, da autoria do director, seguem-se o “termómetro” de política e sociedade, elaborado pelo director-adjunto e a “semana a limpo”, do sub-director. (Acho que, do grupo dos Quatro Mosqueteiros, só mesmo Vítor Raínho é que não se pronunciou sobre o caso, e devia estar distraído, para dedicar o editorial da Tabu aos Jogos Olímpicos, em lugar dos Jogos do Telemóvel…). Segue-se uma historiazinha na molhenga que é o “vinagrete”, acrescida de 2/3 dos artigos de opinião (ou 66.6%, para os que tiverem maiores inclinações matemáticas), mais duas páginas de destaque no “mundo real”, (mais) uma coluna de Catalina Pestana, (outra) carta aberta na secção dos leitores, e o cartoon da semana, para – nem mesmo quando estamos a fechar o caderno – não nos esquecermos de que houve uma aluna…vamos lá recapitular…duma escola do Porto chamada…isso, Carolina Michaelis (a escola, porque da aluna mantém-se absoluto anonimato à excepção da roupa que vestia, do penteado que usava, e do timbre de voz esganiçado), que se meteu numa grande embrulhada com a professora…de Francês, não era? Por causa de um telemóvel. Acho que o modelo não foi divulgado para não fazer publicidade à marca, o que é uma pena, pois teria sido um fabuloso golpe de marketing.
Ainda bem que tiveram tempo de fazer umas foto-montagens simulando a ponte Chelas-Barreiro do miradouro do castelo, ou pensaríamos que em Portugal – e porque não no mundo, em geral? – não acontece mais nada durante sete dias seguidos. Que por acaso foram dez, porque na quinta-feira de paixão, dia 20 de Março, o vídeo já circulava no U-tube e era comentado nos noticiários. Mas como o SOL estava em dia de fecho porque no dia seguinte era feriado, devem ter acumulado as notícias de quinze dias para publicação posterior, deve ter sido isso. Só pode ter sido mesmo isso.
A FENPROF conheceu, esta semana, a sua mais poderosa arma contra o poder político, a chama que a guia, a Luz que a alumia: refiro-me ao semanário SOL, que – na sua edição mais recente – dedica à notícia da aluna que se pega com a professora que lhe tirou o telemóvel não uma, não duas, mas DEZ referências ao longo de todo o periódico.
Começando com o editorial a abrir a primeira ímpar, da autoria do director, seguem-se o “termómetro” de política e sociedade, elaborado pelo director-adjunto e a “semana a limpo”, do sub-director. (Acho que, do grupo dos Quatro Mosqueteiros, só mesmo Vítor Raínho é que não se pronunciou sobre o caso, e devia estar distraído, para dedicar o editorial da Tabu aos Jogos Olímpicos, em lugar dos Jogos do Telemóvel…). Segue-se uma historiazinha na molhenga que é o “vinagrete”, acrescida de 2/3 dos artigos de opinião (ou 66.6%, para os que tiverem maiores inclinações matemáticas), mais duas páginas de destaque no “mundo real”, (mais) uma coluna de Catalina Pestana, (outra) carta aberta na secção dos leitores, e o cartoon da semana, para – nem mesmo quando estamos a fechar o caderno – não nos esquecermos de que houve uma aluna…vamos lá recapitular…duma escola do Porto chamada…isso, Carolina Michaelis (a escola, porque da aluna mantém-se absoluto anonimato à excepção da roupa que vestia, do penteado que usava, e do timbre de voz esganiçado), que se meteu numa grande embrulhada com a professora…de Francês, não era? Por causa de um telemóvel. Acho que o modelo não foi divulgado para não fazer publicidade à marca, o que é uma pena, pois teria sido um fabuloso golpe de marketing.
Ainda bem que tiveram tempo de fazer umas foto-montagens simulando a ponte Chelas-Barreiro do miradouro do castelo, ou pensaríamos que em Portugal – e porque não no mundo, em geral? – não acontece mais nada durante sete dias seguidos. Que por acaso foram dez, porque na quinta-feira de paixão, dia 20 de Março, o vídeo já circulava no U-tube e era comentado nos noticiários. Mas como o SOL estava em dia de fecho porque no dia seguinte era feriado, devem ter acumulado as notícias de quinze dias para publicação posterior, deve ter sido isso. Só pode ter sido mesmo isso.
Dia Mundial do Teatro
Celebrou-se, no passado dia 27 de Março, o Dia Mundial do Teatro. Em homenagem à efeméride, o grupo D. Maria II – ao qual também pertence, por exemplo, o teatro Villaret – suspendeu o pagamento dos bilhetes por um dia, facilitando assim a entrada aos primeiros espectadores que chegassem ao recinto. Também no teatro da Trindade se comemorou esta data duma forma especial, com a transmissão em directo do “Dia das Mentiras”, através da RTP1. Começando pelo final, devo dizer que esta me parece uma óptima medida dum canal televisivo cuja função é ser de «serviço público». Porque ir ao teatro não é um programa economicamente viável para a maioria dos portugueses, a sua filmagem e posterior mostragem na televisão (em alternativa à transmissão directa, para não “roubar” espectadores às peças enquanto estas ainda estão em palco) pode ser uma forma de atrair mais simpatizantes ao teatro – ainda que não in loco, mas o valor cultural da iniciativa também importa.
Ainda assim, existem bastantes pessoas que podem e vão ao teatro. Pelo menos a noite de quinta-feira esteve muito animada, na Baixa Pombalina. Passei duas vezes no Chiado – uma às 22h, outra já perto da uma da madrugada – e aquela zona da cidade estava particularmente cosmopolita, com grupos de amigos ou casais vestidos “a preceito” circulando pelas ruas desniveladas e vielas enviesadas, com os saltos dos sapatos a tamborilarem nas pedras da calçada e os risos a ecoarem pela noite escura.
Sobre o meu contributo para este dia, fui à estreia de “Pena Capital”, uma peça realizada por Pedro Laginha, em palco na Fundação Guilherme Cassoul, no Largo de Santos. Uma série de monólogos ou diálogos de estrutura circular, onde o sexo assume um lugar de destaque na vertente da violência – física ou psicológica. Uma boa oportunidade para ver que actrizes como Oceana Basílio ou Rita Ruaz não são apenas «moranguitas».
Ainda assim, existem bastantes pessoas que podem e vão ao teatro. Pelo menos a noite de quinta-feira esteve muito animada, na Baixa Pombalina. Passei duas vezes no Chiado – uma às 22h, outra já perto da uma da madrugada – e aquela zona da cidade estava particularmente cosmopolita, com grupos de amigos ou casais vestidos “a preceito” circulando pelas ruas desniveladas e vielas enviesadas, com os saltos dos sapatos a tamborilarem nas pedras da calçada e os risos a ecoarem pela noite escura.
Sobre o meu contributo para este dia, fui à estreia de “Pena Capital”, uma peça realizada por Pedro Laginha, em palco na Fundação Guilherme Cassoul, no Largo de Santos. Uma série de monólogos ou diálogos de estrutura circular, onde o sexo assume um lugar de destaque na vertente da violência – física ou psicológica. Uma boa oportunidade para ver que actrizes como Oceana Basílio ou Rita Ruaz não são apenas «moranguitas».
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