Ontem passava num quiosque de jornais, quando li por alto a capa de uma conhecida revista semanal. Traçava o perfil do "Homem mais rico de Portugal", Américo Amorim, 135.º mais rico do Mundo, segundo o ranking da Forbes.
Da leitura rápida fiquei a saber que, nos últimos quatro anos, o senhor multiplicou a sua fortuna por quatro, ultrapassando Belmiro de Azevedo. Apesar disso, e segundo o anunciado na manchete, o milionário viaja em classe económica, almoça por 12 euros e conduz um carro usado.
Vamos por partes:
1. Viajar em primeira classe é, salvo a excepção dos voos intercontinentais, um mero capricho. Que custa o dobro e raramente compensa, porque não poupa tempo nem dinheiro - muito pelo contrário.
2. Mais uma vez, pagar muito não é sinónimo de ser bem servido. Se ainda não anunciei antes, aproveito agora para recomendar "O Pinhal do António", um restaurante em Albufeira, onde os pratos também rondam os 12 euros e o resultado é de comer e chorar por mais.
3. No título não especificavam se o carro usado era um ferrari, um porsche ou um peugeot (sem qualquer tipo de depreciação para este último. O peugeot 206 foi o meu primeiro carro, e será sempre o do meu coração). De qualquer forma, a avaliar pelo resto do destaque, eu apostaria neste último, o que só quer dizer que o senhor é poupadinho, gosta de estimar o que é seu e que muito provavelmente lhe custou a ganhar.
É do conhecimento geral que jornais e revistas escolhem iscos para a capa, de modo a promoverem as vendas. É também público que os milionários são excêntricos (ainda que a sua fortuna não provenha do Euromilhões). Qualquer um de nós - com ou sem muito dinheiro - tem, no entanto, os seus pequenos prazeres na vida. E os de Américo Amorim parecem ser uma relação afectiva com o carro e comida típica portuguesa servida em "tasquinhas". Passa bem sem a flûte de champanhe na descolagem do avião e a cortina de poliester a separá-lo do comum dos mortais. Tem bom gosto, o senhor. A ele ergo o meu copo!
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